Ōmisoka, meu Ano Novo no Japão

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Meus amigos japoneses curtem um monte de tradições bacanas no Ano Novo. Pra começar, a data, ou Ōmisoka, é uma das mais importantes do calendário japonês. É um feriado longo, com a interrupção de vários serviços como lojas, restaurantes etc, algo impensável no restante do ano. Esse cuidado em avaliar o que passou e olhar pro futuro é que dá sentido pra celebração, né? Yoi otoshi wo!! Feliz Ano Novo!!

Uma das tradições mais legais da noite é a ceia tradicional. Entre outras receitas, quero destacar o toshikoshi soba, um macarrão que se come frio, excelente pro nosso calorão- e o melhor de tudo- facilmente transformado em prato 100% vegano. Atenção para o horário, pois o prato tem que ser saboreado antes da meia-noite. Toshi-koshi significa travessia e o macarrão simboliza justamente cruzar do ano velho pro ano novo. Os fios macios e compridos do soba também representam o desejo por vida longa e caminhos abertos, suaves, durante o ano novo.

A receita é muito simples! Um pouco de soba ou macarrão de trigo sarraceno, cozido al dente (macarrão de trigo integral também fica legal) numa tigela com dashi, o caldinho japonês tradicional e um punhado de flocos de alga nori, aquela que é usada pra enrolar o sushi, por cima. O dashi é feito com alga grossa kombu e cogumelo shitake seco e flocos de peixe seco, mas qualquer caldinho leve, feito com vegetais fica legal. No fim do post tem o link pra receita.. =)

Entre as diversas tradições religiosas e superstições adotadas pelos japoneses no Ano Novo, ver o primeiro nascer do sol – hatsuhinode – é das mais importantes. Afinal, falamos do país do Sol nascente! Outra tradição que talvez não entusiasme tanto é fazer uma bela faxina na casa pra começar o ano com tudo limpinho, a casa bonita e cada coisa no seu lugar.

  • Hatsu-dori: O primeiro canto do galo do ano.
  • Hatsu-mode: Primeira visita a templo ou altar para orações. É tradição orar por um ano com saúde e prosperidade e pelo bem estar dos entes queridos.
  • Hatsuyume: O primeiro sonho do ano. A tradição de assistir ao nascer do sol na virada do ano acaba forçando a noite de sono apenas do dia primeiro para o dia 2 de janeiro, dia conhecido no calendário do Japão como Hatsuyume. Diz a superstição que o primeiro sonho revela como será o ano que começa. Sonhar com o Monte Fuji, falcões e berinjelas dá sorte, segundo a tradição.
  • Kakizome: O primeiro texto escrito do ano. na data do hatsuyume, as famílias se reúnem para transcrever um ditado ou verso, usando a caligrafia tradicional, com tinta, pincel e papel.
  • Goyohajime: O primeiro dia útil do ano.

Hatsuyume, a tradição do primeiro sonho do ano.

Receita do toshi-koshi soba.Fuji Mama.com (em inglês)

O Ano Novo no Japão, como (não) funciona!

Elephant Soul Mate

Elephant

Tread far,
tread strong,
As you cut-cut through
the trillion billion particle cake.

Oh Serengeti!
Oh turquoise skies!
Oh solace!
Cannot forget the forever
here-now, truly beyond.

As you trample this oh! frail floor
thou hide blooms,
to uncover a tremendous heart.

Drawing Words and Writing Pictures: Livro Essencial pra Quadrinhos

Fazer quadrinhos não é trabalho que se preste ao improviso. Daí que nesse aprendizado, aproveitei pra colecionar tudo o que podia sobre o assunto, desde fascículos à venda nas bancas, artigos de websites, vídeos, blogs, e, claro, livros. Livros produzidos no Brasil e lá fora. Hoje, vou dar a dica de um dos livros que mais me ajudou e que posso indicar com total confiança pra quem quer fazer histórias em quadrinhos profissionalmente.

Drawing Words and Writing Pictures: Making Comics: Manga, Graphic Novels, and Beyond de Jessica Abel e Matt Madden, é um excelente livro didático, que ensina, desde os primeiros passos, a produzir quadrinhos como nos velhos tempos. Usando as ferramentas analógicas e recorrendo ao computador apenas nos passos indispensáveis, os autores, que ensinam na Escola de Artes Visuais de Nova Iorque, bolaram o livro como material de referência para um curso intensivaço de 4 meses.

Os capítulos são encadeados, começando com a produção mais simples, o cartum, daí para a tira, até uma HQ de página simples. No meio dessas etapas, você aprende aspectos práticos e algumas curiosidades sobre ferramentas e conceitos essenciais do ofício, recheadas de referências de autores e trabalhos de excelência. Você vai aprender tudo que precisa sobre pincéis, penas de tinteiro, layout de página, narrativa, desenho de personagens, noções de anatomia, figura humana e muito mais.

Voltado pra produção analógica, o método de trabalho ensinado pelos autores é autoral, e pode ser resumido nas 4 etapas de criação, lápis, nanquim e finalização. Você começa com um roteiro ou argumento, passa pros rascunhos, faz a composição da página e arte à lápis, depois afina a arte em nanquim sobre o lápis, cria os letreiros, balões e diálogos, finaliza a arte com sombras e preenchimento com nanquim, aprende dicas para a digitalização dos originais e noções de reprodução impressa, cada item explicado em detalhe. Old school, podem dizer, mas é essa tradição e a trabalheira solo que permite ao autor maior controle sobre sua produção.

Claro que exige mais prática, habilidade e tempo, ao contrário do processo das grandes editoras, de que vamos falar mais a frente. De coração, se tivesse de apostar meu suado dinheirinho num só livro, seria esse daqui. É a referência mais completa e didática e também aquela que apresenta a produção de quadrinhos de forma mais acessível. Infelizmente, o livro não foi traduzido pra português, mas vale cada centavo de dólar. Comece com Drawing Words and Writing Pictures, o livro essencial pra quadrinhos, altamente recomendado!

Sabe aquela conversa do faça você mesmo, no peito e na raça? Com o tempo, descobri que essa raça é o ingrediente fundamental pra quem quer realizar qualquer trabalho criativo. Antes de tudo, é preciso produzir. A avaliação e análise são úteis, mas ficam pra depois, pro refazer. Porque a neura pode te estrangular, te sabotar. Você não quer ficar empacado no tempo e no espaço, você quer e precisa fazer quadrinhos. Faça! Faça do seu jeito e use as opiniões e referências, como esse livro maravilhoso, como  suporte, aproveitando o que você considera viável e interessante procê. É mais um elemento de aprendizado. O fundamental é criar, mesmo que o processo de aprendizado dos quadrinhos seja mega demorado, árduo e exigente. Com a prática e a persistência, vai chegar o  dia em que você estará no pleno domínio da sua arte e seu trabalho vai ter de ganhar as ruas. Quando teu traço chegar aos amigos, desconhecidos e quem sabe Deus, você terá cumprido a missão de comunicar sua imaginação e seu sentimento na arte laboriosa e magnífica de fazer quadrinhos. Parabéns!

PS Mais recentemente, o casal lançou a continuação do primeiro volume, chamada Mastering Comics: Drawing Words & Writing Pictures Continued, em que aborda com mais detalhes aspectos técnicos de reprodução e se aprofunda na parte de tecnologia, inclusive quadrinhos para a web. O plano de aula desse curso é a produção de um fanzine de quadrinhos, que eles chamam de mini-comics, com uma tiragem artesanal de até mil exemplares.

Drawing Words and Writing Pictures: Making Comics: Manga, Graphic Novels, and Beyond (US$ 29.58, 2008, 304 páginas, ISBN: 1596431318, 4 cores, 30cm x 22,5cm);
Mastering Comics: Drawing Words & Writing Pictures Continued (US$ 25.82, 2012, 336 páginas, ISBN: 1596436174, 4 cores, 30cm x 22,5cm, ).

Fountain, o Jeito Fácil de Formatar Roteiros

Fountain textos para roteiros

Escrever é o primeiro passo, mas vamos falar a verdade: formatar roteiros é um trabalho pra lá de chato. Com as benditas convenções de formatação, parece que cada roteirista dá seu jeito. Sem falar que cada roteirista tem sua preferência de editor de texto. E não faltam boas opções, desde aplicações dedicadas, como o Final Draft e o Trelby (open source), até os simples blocos de notas, os nem tão simples como o campeoníssimo Notepad++, passando pelo poderoso Microsoft Word.

Hoje, quero apresentar o Fountain, o jeito fácil de formatar roteiros. Fácil e genial, porque o Fountain é uma ferramenta diferente. Não é um software, não é progama, nem app, nem aplicação. O Fountain é uma linguagem de marcação de texto, (derivada do Markdown) e pode ser usado com qualquer editor de texto, incluindo o bloco de notas, aplicações na nuvem, como Google Docs e Office Web Apps, e os eternos MS Word e Final Draft. A marcação de texto é super versátil, seu uso é simples, fácil e direto.

Pra usar o Fountain, basta escrever o texto corrido normalmente no seu editor de texto  e salvar como arquivo de texto (.txt) ou no formato Fountain (.fountain).  Você não tem a preocupação de fazer as indentações de parágrafo, formatar  blocos de texto com itálico e negrito. É só escrever, respeitando algumas regrinhas simples. Por exemplo, quando quiser criar um novo cabeçalho de cena, inicie uma nova linha de texto, que deve começar com  as abreviações “INT”, “EXT” e pule uma linha. É só isso.

Uma observação: é importante que o editor de texto /navegador web ou qualquer que seja a interface de texto usada, esteja configurada para UTF-8 ao invés do ANSI, que é padrão do Windows.

Para indicar falas ou ações de personagens, primeiro crie um parágrafo vazio e na linha de baixo escreva o nome do personagem em caixa alta.  Pule outra linha pra escrever o diálogo ou a ação, imediatamente abaixo do cabeçalho do personagem. Essa facilidade toda te permite escrever com toda atenção voltada pro texto, deixando a trabalheira da formatação em segundo plano.

E agora você me pergunta: se o arquivo de texto não tem a formatação, de que serve isso? Meu arquivo não tem cara de roteiro, não apresenta nada da formatação de que eu preciso! Como eu vou visualizar o resultado da formatação, o arquivo finalizado, pronto pra impressão ou distribuição digital?

Calma! Aqui entra o segundo passodesse processo, que não é uma pegadinha, juro por Deus! Pra que seu texto maravilhoso fique do jeitinho que você sonhou, com a formatação para roteiro prontinha, é preciso abrir o documento de texto numa aplicação que reconheça a marcação do Fountain. Já posso ouvir os protestos e a decepção de quem achou que era bom demais pr ser verdade.

Permitam uma ponderação: separar esse processo nas duas etapas, de criação de texto e exportação de arquivo final é uma enorme vantagem. Primeiro, voê pode escrever de praticamente qualquer lugar, com qualquer dispositivo, com qualquer editor de texto. Isso te dá uma imensa liberdade, seja pra anotar novas ideias, seja pra revisar o roteiro. E facilita demais a distribuição  do texto, porque nem todo mundo envolvido no processo criativo tem necessariamente acesso às ferramentas dedicadas, como o Final Draft, por exemplo. Sem falar no tempo e expertise necessários pra fazer a formatação com uma dessas ferramenta.

Também porque a exportação do arquivo é questão se segundos, dois ou  três cliques ^pra você visualizar seu roteiro, lindão, com aquelas santas indentações, os negritos e itálicos, tudo em seu devido lugar. Pra operar o milagre da transformação do texto corrido em roteiro pronto, eu uso o Trelby, que é open source, mas pode ser o Final Draft e um monte de outras opções, para Mac, Unix, Win, iOS e Android!

As opções não param aí! Tem o Scribbler, site para edição de roteiros com suporte ao Fountain e armazenamento com Dropbox. A assinatura básica do Scribbler é gratuita! Também gosto do Screenplain, uma aplicação web, fácil e grátis para exportar arquivos do Fountain. É só acessar o site, carregar o arquivo e escolher o formato de exportação, que pode ser Final Draft ou HTML (recomendado).

Pra começar a usar o Fountain, assista aos vídeos com as dicas básicas de uso. E veja abaixo uma folha de ajuda com exemplos básicos de marcação do Fountain, com o texto corrido e o resultado da formatação, lado a lado. Faça o download da folha de ajuda em PDF!